18 de jul. de 2020

Estou Voando para Casa - Paramahansa Yogananda

Metaphisyc Door, Mihai Criste

Adeus, morada azul do céu. Adeus, estrelas e celebridades terrestres, com os seus dramas na tela do espaço. Adeus, flores, com as suas armadilhas de beleza e flagrância. Vocês já não me podem deter. Estou voando para casa. Adeus ao tépido abraço do sol. Adeus, brisa fresca, suavizante e confortadora. Adeus, encantadora música dos homens. 

Permaneci um longo tempo divertindo-me com todos vocês, dançando com os meus pensamentos de trajes variados, bebendo o vinho de meus sentimentos e da minha vontade mundana. Agora, abandonei a embriagez da ilusão.

Adeus, músculos, ossos e movimentos corporais. Adeus, respiração. Eu a expulso de meu peito. Adeus, batimentos cardíacos, emoções, pensamentos e memórias. Estou voando para casa, no aeroplano do silêncio, Vou, para em Deus sentir o pulsar de meu coração.

Pairando no aeroplano da consciência - acima, baixo, à esquerda, à direita, dentro e fora, em toda a parte - descubro que, em cada recanto do meu lar espacial, estou sempre na sagrada presença de meu pai.

(esta meditação sensibilizou-me, em tempos de virus)

28 de jan. de 2020

Jogo INWO, o programa continua - mais algumas cartas

gurus new age
morally wrong to allow suckers
to keep their money
alterações climáticas e privatização da água
Epstein Pizza Express
cientologia
pânico climático
virus
laboratório 
sem dúvida
safe zones
só falta o telemóvel na mão
refúgios secretos para a elite

mind control
a mãe terra necessita de almas pacíficas,
os chicos-espertos estão a acabar com ela
divide et impera


e se as obras de arte nos museus
forem já falsas, e os originais
guardados em locais seguros

democratas cristãos


gente incómoda suicidada
kingu
eles sabem algo incomum


ameaça sempre presente

27 de jan. de 2020

Portugal Sobrenatural, Manuel J. Gandra (A-B), 10 entradas



Abelha da Orquídea
ABELHA - A mais remota figuração da abelha, porventura datando do Magdalenense, acha-se pintada na parede da gruta de Cueva de la Araña (Espanha). Melissai (abelhas) era o nome pelo qual eram conhecidas as sacerdotisas gregas da Mãe dos Deuses em Eleusis e em Éfeso. Atributo de Diana, Ceres e Júpiter. Símbolo solar e real e, nessa acepção, adoptado por Childerico e Napoleão. Representação da alma (segundo uma versão, quem sonha com abelhas tem a morte diante de si), da ressurreição e imortalidade da alma (abelhas foram encontradas nos tesouros de túmulos no Egipto, na Gália, etc.), da ordem (constrói favos hexagonais), da diligência (constante azáfama) e da eloquência (terá pousado nos lábios de Platão, Píndaro, Santo Ambrósio e São João Crisóstomo). São Paulino de Nola (séc. IV) chamava a este insecto bendito «a misteriosíssima abelha» (Correspondência: carta IX a Santo Amando). O cristianismo fez da abelha um símbolo crístico: a actividade incessante da abelha-mestra foi colocada a par da incessante actividade espiritual de Cristo na sua Igreja; o mel tornou-se um dos símbolos litúrgicos do Salvador, bem como das doçuras eternas reservadas aos justos; já a picada da abelha remete para o castigo dos ímpios. A vida das abelhas e o seu comportamento na colmeia foram convertidos em emblemas das Virtudes cristãs. São Bernardo considera-a símbolo do Espírito Santo. A literatura medieval portuguesa reservou-lhe lugar de relevo: Santo António expõe a analogia entre a abelha e a Virgem Maria, acrescentando: «as abelhas são os justos que se exercitam no ar, na contemplação das coisas celestes [...]. Depois de semelhante exercício, voltam às colmeias, à própria consciência; e aí se alimentam no gozo do espírito e na sua doçura»; uma Cantiga de Santa Maria menciona o achamento de uma imagem de Nossa Senhora com o menino no interior de um cortiço; frei Paio de Coimbra compara Santo António com a abelha trabalhadora; a dominicana Margarida Pinheira, professa no mosteiro de Jesus de Aveiro, estabelece um paralelo entre as abelhas e as freiras. A abelha adquire conotação erótica em diversos poemas barrocos, mercê da analogia entre o beijo e a libação das flores pelo insecto, conforme escreve Fonseca Soares: «De um cravo logo partido, / chupo, racional abelha, / as instâncias de um favor / novo acidente da inveja». Sonhar com abelhas significa exito em negócios; com abelhas mortas, perda de dinheiro; ser picado por elas, uma esperança que se desfaz; capturá-las, danos ou insucessos em empresas. Em diferentes civilizações e culturas o mel é considerado alimento sagrado, intervindo na confecção do hidromel e do néctar. Numa opala ambarina do período romano, achada no Alentejo, observa-se gravada uma abelha. Ocorre na escultura tumular, ora como símbolo da alma, ora como símbolo do trabalho e emblema laudatório das virtudes profissionais do defunto. Na Madeira, afirma-se que «quando as abelhas ferram curam o reumatismo». Em certas regiões (mormente nas Beiras), o muco nasal e as secreções vaginais são preconizados como antídoto para a picada da abelha. Agouro: abelha que entra em casa é boa nova (Madeira), porém, um enxame delas já é mau agouro. Anexins: A abelhinha mestra faz andar o rei na festa; Em Março, de dia canta a abelha e à noite pinga a telha. A mosca, emblema das coisas fúteis e efémeras e figura do demónio (Asmodeu e Belzebu), é a antítese emblemática da abelha.


ABRACADABRA - Palavra de virtude, disposta triangularmente. Quintus Serenus Sammonicus (séc. II) foi quem, pela primeira vez, a mencionou como fórmula de amuleto. Alguns autores sustentam que se trata de corruptela do termo gnóstico abraxas (proteja-me), outros que deriva do aramaico ha brachah dabarah(proferi a benção!). Como amuleto, inscrita num pergaminho usado ao pescoço, era recomendada na profilaxia e cura de todo o género de maleitas, designadamente das febres. Citada no processo de Diogo Lopes, de Estremoz (1675) [ANTT: Inq. Évora, proc. 7415, maço 768]. Brás Luís de Abreu condena a utilização da palavra abracadabra por «médicos feiticeiros e feiticeiras, curandeiros e curandeiras, com ofensa de Deus, com injúria da Fé e com perdição da própria alma». Para o vulgo significa expressão confusa, ininteligível. Esta palavra de virtude ocorre numa miscelânea dos séculos XVII/XVIII [BN: cod. 589], acompanhada da seguinte legenda: «Estas palavras postas ao pescoço em louvor das onze mil virgens e rezar no próprio dia em que puser onze Ave Marias: […]. Dizem que tem virtude para tirar febres e que tem feito muitos maravilhosos efeitos. Deu-os um Padre de São Francisco de Lisboa a um amigo ao qual um hebraico os trasladou em letras latinas, porque elas na sua origem são hebraicas». O franciscano Frei Rafael da Purificação, da Província de Santo António do Brasil aconselha a zombar da palavra Abracadabra, surpreendendo-o que «homens muito sábios gastassem superfluamente o tempo em descobrir a origem» dela).


ABRAÇO - Em sonhos, um abraço prenuncia encontro com traições, quando entre amigos e parentes, e viagem num futuro próximo, quando é dado a pessoa desconhecida.


ABUTRE - No Egipto, quando representado nos seus combates e triunfos, era protector dos faraós, sendo-lhe atribuída a honra suprema de transportar os selos divinos nas garras. Constituía ainda emblema da maternidade e da abnegação paterna e materna, porquanto se acreditava que alimentava a prole do seu próprio corpo, fábula que seria adaptada ao pelicano durante o séc. XV, tornando-o emblema eucarístico. Plínio faz-se eco da tradição segundo a qual o abutre era considerado como um dos mais temíveis inimigos das serpentes perigosas. Os autores clássicos referem também que a cabeça do abutre encerrava um amuleto poderoso: a pedra quadrado (quadratus, quadros ou quarridos), a qual garantia a felicidade a quem detivesse uma. Segundo uma cantiga do trovador Estêvão Coelho, comer carne de abutre confere o dom de adivinhar: «Sedia la fremosa seu sirgo torcendo, / sa voz manselinha fremoso dizendo / cantigas d’amigo. / Sedia la fremosa seu sirgo lavrando / sa voz manseluinha fremoso cantando / cantigas d’ amigo. / – Par Deus de cruz, dona, sei eu que avedes / amor mui coitado, que tan ben dizedes / cantigas d’ amigo. / Par Deus de cruz, dona sei [eu] que andades / d’ amor mui coitada que tan ben cantades / cantigas d’ amigo. / – Avuitor comestes, que adevinhades». A crença ainda hoje perdura com a diferença que, em vez da carne de abutre, se atribui a mesma propriedade à do mocho. O Thesaurus Pauperum de Pedro Hispano consigna a fórmula de um remédio imundo para clarificar a vista: fel de abutre misturado com excrementos humanos em vinho, bem coado. Santo António vê no abutre o invejoso, imagem do «prelado da Igreja que, impedido pelos bens temporais, não pode voar das coisas terrenas às celestes»


tholos
ACÚSTICA - Muitas culturas arcaicas atribuem significado sobrenatural ao som, pelo que não será dispiciendo especular que rochas, abrigos, grutas, antas, tholoi e vales, mercê das litofonias (zumbido, absorção, ressonância, reverberação ou eco) que geram, possam ter sido considerados sagrados e por tal motivo pintados e gravados com imagens evocadoras de tais sons, autênticas «assinaturas vibratórias» dos sítios que as repercutem. O carácter oracular dos sons supostamente emanados das rochas gravadas e pintadas («pedras que falam»), outrora, decerto, entendidas pelos xamãs como palcos rituais ou cerimoniais para o contacto com o além, constituíriam como que as vozes dos espíritos aí figurados, no limiar de dois mundos. Em muitos casos, as propriedades do som poderão mesmo ter determinado a eleição dos locais de concentração de arte rupestre e da hierarquização dos temas e sintaxe adoptados. É, por conseguinte, conveniente preservar intocadas as paisagens que integram sítios congéneres, de molde a não causar um impacto negativo na qualidade das respectivas características acústicas. É um dado consensual o vasto conhecimento matemático, dos ciclos do tempo e do universo, globalmente entendido, detido pelos povos arcaicos. Quanto à sua enorme competência em matéria de acústica e de controlo do potencial sonoro e vibratório, pesquisas em curso, incidindo sobre as configurações e proporções dos seus santuários (sejam recintos fechados ou a céu aberto), apontam para a circunstância de se estar perante uma autêntica «arquitectura sónica». Com efeito, de acordo com os registos realizados no decurso das pesquisas arqueoacústicas empreendidas por Steven Waller, Iégor Reznikoff e Michel Dauvois (em grutas francesas), Paul Devereux, David Keating e Aaron Watson (em megálitos da Irlanda, Escócia Cornualha e Gales), os sítios detentores de arte rupestre são amplificadores sonoros vocais ou instrumentais. Além do design, também os materiais pétreos eram cuidadosamente seleccionados de forma a potenciarem certas frequências (mormente as ultra-sónicas) susceptíveis de induzir estados alterados de consciência e transe. Outra das constatações já realizadas sugere que a organização espacial interna de dólmenes e monumentos de falsa cúpula (tholos) é propícia à geração do fenómeno acústico denominado Ressonância de Helmholtz (a mais baixa frequência de ressonância susceptível de ser obtida), se forem percutidos tambores à entrada ou no interior da câmara, sabido que o ritmo da batida terá de ser proporcional à dimensão desta. Um som cavo idêntico é produzido quando se sopra para o interior de uma garrafa vazia, segundo o ângulo e a intensidade adequados, de molde a provocar a compressão periódica do ar aí contido. Muitos arqueosítios terão sido afinadosde forma a gerarem frequências de 4 hertz, que podem ser produzidas por um ritmo de quatro batidas por segundo, ou de 2 hertz, de duas batidas por segundo. É evidente que tais constatações são aplicáveis a inúmeros monumentos portugueses.


ÁGUIA - No mundo helénico, tal como no latino, foi identificada com o sol, mensageiro de Zeus ou Júpiter que a tomou como insígnia e a colocou no céu, onde é uma das constelações, porque em vésperas de uma batalha, quando oferecia sacrifícios, teve a visão de uma águia a fornecer-lhe os raios com os quais fulminava os inimigos. Participa, por essa razão, em grande número de mitos, sendo considerada a ave dos deuses e a rainha das aves. Nos Salmos (CII, 78 e CIII, 2 e 5) alude à renovação espiritual simbolizada pela rejuvenescimento primaveril da sua plumagem. No Deuteronómio (XXXII, 9-13), a propósito da saída do hebreus do Egipto e da sua libertação do jugo do faraó, Javé é comparado à águia que incita a sua ninhada a abandonar o ninho. Em Ezequiel (I, 10-11), os Quatro Viventes, detentores de quatro rostos cada um, possuem um de águia que parece estar em harmonia com os seus corpos alados. No Apocalipse (IV, 7), o Quarto Vivente é uma águia em pleno voo. Leite de Vasconcelos descreve uma pedra encontrada na localidade de Assento (Vale de Nogueira, Vila Real), e que se supõe ter pertencido a uma fonte, na qual se lê a inscrição RENOVABITUR UT AQUILAE JUVENTUS TUA IN FONTE [Nesta fonte se renovará a tua mocidade como a da águia], inspirada no Salmo, CIII, 5 (ao qual foi acrescentada a expressão IN FONTE), no passo interpretado por Santo Ambrósio como significando a graça do baptismo: assim como a águia renova as penas e alcança idade provecta, assim a alma pode libertar-se do pecado e rejuvenescer graças ao baptismo. Também Isaías, XL, 30-31: «Os adolescentes cansam-se, fatigam-se e os jovens robustos podem vacilar, mas aqueles que confiam no Senhor renovam as suas forças; têm asas como a águia e voam velozmente, sem se cansar e correm sem desfalecer». O cristianismo converteu-a em símbolo de Deus Pai e de Cristo. No primeiro caso porque encarna a força e a soberania toda poderosa de Deus, enquanto, concomitantemente, simboliza Cristo em três dos seus mistérios: Baptismo (Salmo, CIII, 5); Ascensão (Voa mais alto que qualquer outra ave, fitando o Sol sem pestanejar, constituindo-se por esse motivo, como símbolo da Ressurreição); Juízo Final (Honório de Autun afirma no Speculum Ecclesiaeque a águia leva os filhos até ao alto, expondo-os aos raios do Sol: aqueles que o fitarem sem pestanejar consideraos seus, aos outros repudia-os, alusão à separação entre eleitos e condenados). Mas o cristianismo descobre ainda na sua imagem a visão de Deus e a do homem que se eleva para Ele pela oração, fazendo da águia atributo de São João: o seu Evangelho inicia-se com o reconhecimento tácito do Logos-Luz, cuja divindade promulga. Para Santo António significa o varão justo: «De facto, a águia é de vista agudíssima e quando o bico, por causa da demasiada velhice, começa a engrossar, aguça-o contra uma pedra e desta forma rejuvenesce. Assim o homem justo, com a agudeza da contemplação fita o esplendor do verdadeiro sol e se alguma vez o seu bico, isto é, o afecto do entendimento, começa a engrossar com qualquer pecado, de modo que não pode apanhar o costumado alimento da doçura interior, imediatamente o aguça na pedra da confissão e, desta maneira, rejuvenesce com a juventude da graça» (Obras Completas, v. 1, p. 55). Acrescenta, ainda, que a águia põe três ovos (amor de Deus, do próximo e do mundo), lançando fora o terceiro (o amor do mundo), a fim de alimentar convenientemente os dois primeiros, como convém ao justo (idem, v. 3, p. 332). Na abadia de Santa Maria de Cós (Alcobaça) uma águia de asas estendidas, símbolo da providência Divina (Santo António diria que as duas asas são a contrição e a confissão), proteje os fiéis, figurados por um conjunto de cabeças; a legenda Sub tuum praesidium confugimus Sancta Dei genitrix remete para a antífona dedicada à Virgem cantada antes do ofício de Laudes no rito cisterciense. Ocorre seis vezes nos braços do cadeiral do coro de Santa Cruz de Coimbra. Em Cataldo Parísio Sículo, águia (aquila) é qualificativo laudatório aplicado à cidade de Santarém, que das alturas domina a planície como a ave de Júpiter, e igualmente a Dom João II (cf. tese de mestrado de Ema Rodrigues Bacelar, O Livro II do poema Águia de Cataldo Sículo, Coimbra, Fac. Letras, 1986). Já para Francisco de Holanda águias são aqueles artistas «sobrepujadores dos outros todos e como penetradores das nuvens e da luz do Sol» (Diálogos de Roma). Segundo Alberto Magno, enquanto cria os filhos, a águia transporta para o ninho a pedra águia, a qual, tem cor castanha e dentro dela possui outra que se ouve quando é chocalhada, razão por que também lhe chamam pedra prenhe. Na opinião de Jerónimo Cortez, «obra muito nos partos das mulheres, atando-a na perna por baixo da virilha». Acrescenta ainda o mesmo autor que, moída e bebida, é eficaz contra toda a peçonha, desfazendo opilações, curando quartãs e terçãs e, se bebida com vinho, mata lombrigas. Numa pilastra «visigótica» (séc. VII) do Museu Arqueológico de Sines observa-se uma águia com uma lebre nas garras. Uma águia foi instrumento divino, salvando os habitantes de Celorico ao lançar alimentos sobre o castelo sitiado pelo conde de Bolonha (Crónica
dos sete primeiros Reis, 1419, v. 2, c. 8, p. 235-237). Num dos volantes do tríptico do Baptismo de Cristo, na igreja de S. João Baptista de Tomar onde se observa a Tentação de Cristo pelo Diabo, os pés deste são garras de águia, simbolizando a sua mortífera habilidade para caçar as presas. Intitulou-se A Águiao órgão de A Renascença Portuguesa (Porto, 1910-1932).


ÁGUIA BICÉFALA  - Ave fabulosa, que fita oriente e ocidente (a totalidade do universo), concomitantemente. Distintivo heráldico dos imperadores de Bizâncio e de Carlos V. Ocorre em, pelo menos, sete brasões nacionais, desde finais do séc. XIII a finais de oitocentos: túmulo de D. Vataça (dama da Rainha Santa Isabel); túmulo de Dom Tibúrcio (bispo de Coimbra em tempos de Afonso III); Luís Álvares de Aveiro; Bocarros, de Beja; Godolfins; Temudos e Freitas; Miguel Ephrussi. Os carmelitas também usaram este símbolo, como se comprova pelos canudos de farmácia provenientes de conventos da sua Ordem. Alguns Areópagos do Rito Escocês Antigo e Aceite (REAA) adoptam águias bicéfalas (de Lagash), coroadas, com punhal nas garras, nas jóias dos graus 31º (Grande Inspector Inquisidor Comendador), 32º (Sublime Príncipe do Real Segredo) e 33º (Soberano Grande Inspector Geral).



ALEISTER CROWLEY - Pseudónimo de Edward Alexander Crowley (1875-1947). Mago, ocultista, mestre de xadrez, alpinista, poeta, novelista, etc., foi uma das mais polémicas personalidades do seu tempo, a quem têm sido creditados, porventura abusivamente, grandes prodígios e poderes taumatúrgicos, assim como ascendente sobre inúmeros artistas e músicos, intelectuais e até políticos. Educado de acordo com os preceitos morais (austeridade de costumes, crença no senido literal das Sagradas Escrituras) da seita protestante dos Irmãos de Plymouth(auto-intulados a única «ordem verdadeiramente cristã»), contra os quais se rebelaria aos 19 anos, ao ponto de sua mãe o comparar à Besta do Apocalipse. Aos 23 (1898), após ter lido The Book of Black Magic de A. E. Waite, ingressou na Hermetic Order of the Golden Dawn, onde adoptaria o nome de Perdurabo (Persistirei até ao fim). Mais tarde havia de filiar-se na Ordo Templi Orientis, fundada por Karl Keller, em 1902. No ano de 1905 funda a sua própria organização, a Astrum Argenteum (A.A.), à qual se consagraria o resto da vida, redigindo rituais (a maioria em verso), instruções e orientações para os seus discípulos. Fundador da revista The Equinox (1909-1944), órgão oficial da Estrela Argêntea (A.A.). No decurso das suas diversas ocupações, nomeadamente como agente secreto do Intelligence Service, adoptou os pseudónimos de Conde Vladimir Svareff, Master Therion, Príncipe Chioa Kha, Guru Shri Paramahansa Shivaji, Baphomet, etc. Inspirado por Rabelais, fundou na Sicília, no ano de 1920, a Abadia de Thelema, extinta em Abril de 1923 por ordem de Mussolini. Em 1924, no Cairo, manifestou-se-lhe um espírito, denominado Aiwass, que lhe terá ditado The Book of the Law (ou Liber Legis), um evangelho universal no qual é profetizado o advento de uma nova Era de que ele próprio seria o arauto (Aeon de Horus), motivo por que se vangloriava de poder ser identificado com a Besta do Apocalipse. Diversos ficcionistas fizeram dele o protagonista de novelas e romances: Oliver Haddo de Somerset Maugham (The Magician, trad. port. Livros do Brasil); Cefalú de Lawrence Durrell; o Mago de John Fowles; Karswell de M. R. James (Casting the Runes); Hugo Astleyde Dion Fortune (Winged Bull); Caradoc Cunnighamde Colin Wilson (Man Without a Shadow); etc. A generalidade de tais personalidades literárias havia de contribuir para a péssima fama de Crowley, no que seriam secundadas por James Douglas (in Sunday Express, 26 Nov. 1922) e Dennis Wheatley (The Devil rides out e To the Devil, a daughter). Fernando Pessoa traduziu-lhe o Hino a Pã (in Presença, n. 33, Jul.-Out. 1931, p. 11), cantado no funeral do autor em Hastings (Richard Cavendish, The Black arts). Deslocou-se a Portugal, de 2 a 25 de Setembro de 1930, para expressamente conhecer Fernando Pessoa, após este ter comunicado (carta de 4 de Dezembro de 1929) um erro detectado no horóscopo de Crowley publicado pela imprensa londrina. Gaspar Simões conta que o poeta da Mensagem terá ficado bastante apreensivo com a visita anunciada, ao ponto de o mago lhe haver atribuído o súbito nevoeiro surgido na Mancha quando navegava com destino a Lisboa. Pessoa e Augusto Ferreira Gomes foram cúmplices do alegado desaparecimento misterioso de Crowley na Boca do Inferno. Na biblioteca de Fernando Pessoa constava a obra intitulada: The confessions of Aleister Crowley: the spirit of solitude an autohagiography subquently re-antichristened (Londres, 1929, 2 vols.). Numa carta endereçada em Janeiro de 1936 a Gerald Hamilton, em vésperas da visita deste a Lisboa (Pessoa falecera em Novembro do ano anterior), Crowley recomendou-lhe «Don Fernando Pessoa a really good poet», acrescentando adiante: «It is about the most remarkable literary phenomena in my experience».


AMAZONA - Também almazona, almajonaou, alamoa. O mito das amazonas existe em todos os continentes, mas, salvo ligeiras variantes tópicas, corresponde ao arquétipo consagrado: uma sociedade matriarcal com governo próprio, na qual os homens ora servem como escravos, ora apenas são admitidos uma vez ao ano. Seja como for, tais mulheres são consideradas muito grandes e nutridas. Alimentam os filhos lançando os seios para trás das costas (Maia, Minho, Beira Alta). Paulo Orósio dedica dois trechos da sua História às amazonas: situando o reino destas junto ao Mar Cáspio (liv. 1, cap. 2) e elencando as referências e explicações sobre a origem delas (liv. 15, cap. I). Os rumores acerca de tribos de mulheres belicosas e varonis no Novo Mundo (América), deixaram de o ser no dia 24 de Junho de 1542, quando o conquistador espanhol Francisco de Orellana, que fazia o reconhecimento do «rio-mar» (depois, justamente baptizado de Amazonas), foi surpreendido por índios comandados por mulheres «muito altas e brancas e com cabelos compridos entrançados em volta da cabeça» (Gaspar de Carvajal, Relación del Nuevo Descubrimiento del Famoso Rio Grande). Em 1587, Gabriel Soares de Sousa informa que os ubirajaras se batiam sempre, por um lado,  com os amoipiras «e, pelo outro, com umas mulheres, que dizem ter uma só teta, que pelejam com arco e flecha e se governam e regem sem maridos, como se diz das amazonas, das quais não podemos alcançar mais informações nem da vida e costumes destas mulheres» (Tratado Descriptivo do Brasil em 1587). Exploradores posteriores (Walter Raleigh, Cristóbal de Acuña, Condamine, etc.) haviam de ser informados da existência de um reino de mulheres guerreiras e sem marido, tendo presumido diversas localizações para ele. Contudo, como testemunho algum credível foi registado, o mito acabaria por vingar, consagrando definitivamente a iconografia da alegoria da América. Cataldo Sículo chamou Pantisileia (i.e., rainha das amazonas) à Rainha D. Leonor, num epigrama (Américo da Costa Ramalho e Maria Margarida Brandão Gomes da Silva, Cataldo Parísio Sículo: duas Orações, Coimbra, 1974) e numa carta, onde a compara à Marquesa de Vila Real. No bosque de Vila Viçosa existe a Gruta das Amazonas.


AZUL - Cor espiritual e de Deus (Êxodo e Ezequiel, que descrevem o trono de Deus talhado numa safira) e da sua morada celeste (azul do céu). Simboliza realeza, nobreza (sangue azul), ventura (ouro sobre azul) e o princípio feminino ou aquático (azul marinho). Segundo os códigos heráldicos o azul denota zelo, claridade e lealdade. Entre as flores, o miosótis (azul), também denominado «não me esqueças», é emblemático dos namorados, os quais vêem nele persistência e saudade. Anéis com uma opala engastada são amuleto de apaixonados e ambiciosos. Bluteau (Pedras preciosas) menciona a safira como detentora da virtude de proteger o coração. Três contas azuis postas ao pescoço de uma criança fazem que lhe nasçam os dentes sem sofrimento (Santa Eulália de Fermentões, Guimarães). Em Lisboa, diz-se: «olho azul em portuguesa é erro da natureza», enquanto em Idanha-a-Nova os olhos azuis são lisonjeiros, desleais e prejuros (olho). Na tintura dos tecidos (serguilhas, riscadinhas, lenços e panos de Alcobaça) foi, outrora, muito aplicado o azul de cochonila (Gil Vicente, Farsa dos Almocreves), tão do agrado dos liberais de 1820 que usavam lenços dessa cor, ali fabricados, pendentes dos bolsos das casacas de briche. De resto, os liberais haviam de associar a cor azul ao pavilhão nacional (exclusivamente branco, até então), bipartindo-o para se distinguirem dos usurpadores absolutistas. Vestir uma peça de roupa azul durante a passagem do ano favorece a realização de desejos íntimos. Portugal detém a prerrogativa exclusiva de usar paramentos de cor azul na festa da Imaculada (8 de Dezembro). As faixas azuis que, noutros tempos, emolduravam as casas populares desde Lisboa a Torres Vedras, possuíam função antiséptica, porventura a mesma que competia aos lambris e silhares de azulejo da arquitectura das classes mais abastadas. Expressões: Ver-se azul (= passar momentos atribulados = ver-se em calças pardas; ver-se em assados; ver-se em maus lençóis; mau quarto de hora); ouro sobre azul (= estrelas douradas sobre o céu azul = noite calma = vida venturosa). Quintilha: «Ó Malhão, Malhão, / Ó Malhão do Sul! / Quando o mar ‘stá bravo, / Ó Malhão, Malhão / Faz a onda azul» (Póvoa de Varzim). O azul é adoptado pela maçonaria em diversas circunstâncias, a saber, entre outras: paredes das lojas do Rito Francês; 2º degrau da escada do ritual do 2º grau (Companheiro); aventais do 3º grau (Mestre), quer no Rito Francês (RF), quer no Rito Simbólico (RS); nas abóbadas dos templos do Rito Escocês Antigo e Aceite (REAA), etc.


link: 
https://www.academia.edu/13049881/Portugal_Sobrenatural_Deuses_Dem%C3%B3nios_Seres_m%C3%ADticos_Heterodoxos_Marginados_Opera%C3%A7%C3%B5es_e_Lugares_M%C3%A1gicos_e_Iconografia_da_Tradi%C3%A7%C3%A3o_Lus%C3%ADada



6 de jan. de 2020

planeta a arder



Amazónia e agora Austrália enfrentam o caos em termos de vidas animais e perda de ecosistemas, e como podemos ver acima é apenas uma parte do problema (alguns poderão argumentar que os fogos em África são apenas resultado de queimadas sazonais para criar pastagens, mas e então o que se passa na China, Vietname, Malásia, Bangladesh, Indonésia, Tailândia?)


Estaremos a ser algo de um processo de "terraforming" visando tornar o nosso planeta habitável a outras formas de inteligência, tal como terá ocorrido num passado longínquo? E as elites que concordam com este crime, estarão a ser aliciadas com posições de destaque numa nova terra?





Podemos enviar pedidos de chuva em forma de oração para o continente australiano e outros locais, para quem habitualmente está acostumado a silenciar a mente e meditar é mais simples, mas é algo acessível a todos nós:


- arranjar um local na casa onde não sejamos interrompidos
- sentar confortávelmente
- acender uma vela cor branca ou incenso
- silenciar a mente
- visualizar imagens de chuva a cair sobre terra seca e árida, ou rios transbordando de vida
- acreditar e enviar intenção
- também podemos colocar sons da natureza ou chuva, há sites e vídeos com sons relaxantes que ajudam, inclusivé para nos concentrarmos melhor e trabalhar (p.explo https://asoftmurmur.com/)





Seria possível, dentro da mesma filosofia, enviar uns raios de trovoada para um ou vários destes locais 🙄 (just a thought)...
O mais provável, infelizmente, é que algumas destas armas de guerra atmosférica estejam instaladas em satélites, tal como vemos em Geostorm, um filme interessante de 2017 com Gerald Butler - hoje em dia penso que ninguém duvida já que alguns dos milhentos satélites em órbita estejam lá para fins militares, pouco humanitários...



8 de dez. de 2019

Alfred Lambremont Webre sobre o lançamento de uma plataforma onde expõe as suas ideias políticas em relação à humanidade




"divulgação das novas energias para teletransporte e viagens no tempo, implementação do teletransporte como sistema de transporte, reconhecimento de animais como seres sencientes, democracia online directa e segura, reinvenção do dinheiro como um direito público e utilidade pública como o ar, a água e a eletricidade, garantias sociais como uma forma de renda anual e assistência médica, educação fundamental para todas as pessoas do planeta durante toda a sua vida, perdão da dívida mundial, retirar poderes estatais a monarquias e religiões, criminalização da indústria de guerra, acusação criminal e condenação de crimes de guerra, como guerra climática e geoengenharia, HAARP, chemtrails, EMF e armas de grande escala, robotização na forma de trans-humanismo e genocídio da humanidade, fome, vacinas, GMOS, manipulação de ADN" 


Alfred assume-se aqui como uma espécie de embaixador humano num conselho galáctico de federações, onde estão incluídos pledianos, sirianos, alfa centauris entre outros; neste tipo de cenário estas seriam as directrizes, ou programas de governo defendidos por ele - a esta bela forma de utopia eu acrescentaria apenas alguns pontos:

1 - a preservação de florestas e ecosistemas como meio de salvar espécies cujos princípios activos contribuem para a produção de medicamentos e remédios naturais; a conservação da sabedoria xamãnica indígena 🌄
2 - o direito de aceder às nossas vidas passadas, de forma a poder compreender a roda do karma e entender o motivo pelo qual decidimos entrar na maya 🎡
3 - uma educação mais orientada para a empatia, a espiritualidade e a compreensão de que há outras formas de inteligência no universo; a liberação de ficheiros que relatam avistamentos e contactos com outros tipos de inteligência 👽
4 - a liberação de artefactos, manuscritos, esqueletos e todo o tipo de tesouros arqueológicos cuja existência põe em causa a versão oficial da história tal como a conhecemos 🦴
5 - tal como necessitamos de absorver energia em forma de alimento de animais e plantas, a compreensão de que existem formas de vida que se alimentam da nossa energia, sendo para isso necessário chegar a um entendimento no qual nenhuma das partes saísse prejudicada, conduzindo à abolição de rituais de sofrimento humano e animal 🧛‍♂️
6 - o desenvolvimento da telepatia, preservando o entanto o direito de não sermos invadidos na nossa mente por rastreadores sem o nosso consentimento; o desenvolvimento da visão remota, mas de forma que não invadissemos o espaço privado de cada um 💭


28 de nov. de 2019

as águas da existência

Um grupo de homens santos tinha-se congregado à volta de um venerável ermita, Vyãsa, que vivia isolado na floresta. "Tu compreendes a ordem eterna divina", disseram-lhe, "revela-nos, pois, os segredos da Mãyã de Visnu".
"Quem pode compreender a Mãyã do deus supremo, senão ele próprio? A Mãyã de Visnu lança o seu encanto sobre todos nós. A Mãyã de Visnu é o nosso sonho colectivo. Posso apenas contar-vos uma história que nos chega de outros tempos, sob o efeito que essa Mãyã produziu, num caso particularmente instrutivo."
Os visitantes estavam ansiosos por ouvir a história. Vyãsa começou:
"Era uma vez um jovem príncipe chamado Kãmadamana, Domador de Desejos, que, agindo de acordo com o espírito do deu nome, vivia num ascetismo dos mais austeros. Mas o seu pai, desejoso que ele se casasse, falou-lhe uma vez nestes seguintes termos: "Kãmadamana, meu filho, que se passa contigo? Porque não tratas de encontrar uma esposa? O casamento proporciona o cumprimento de todos os desejos de um homem e a prossecução da felicidade completa. As mulheres são a raiz mesma da felicidade e do bem-estar. Vai, portanto, e casa-te, meu querido filho".
"O jovem ficou silencioso, por respeito ao seu pai. Mas quando o rei insistiu, pressionando-o repetidamente, Kãmadamana respondeu:
"Meu querido pai, eu atenho-me à linha de conduta determinada pelo meu nome, foi-me revelado o poder divino de Visnu, que nos sustem e nos mantém enredados, e a todos os seres do mundo".
"O reu guardou silêncio por um breve momento para meditar sobre a situação, e desviou habilmente a sua argumentação do apelo ao prazer pessoal para o apelo ao dever. Um homem deve casar, declarou, para assegurar a sua descendência, a fim de evitar que aos espíritos dos seus antepassados, que estavam no reino dos pais, faltassem as oferendas de alimentos por parte dos descendentes e caíssem num sofrimento e desespero indizíveis.
"Meu querido pai", disse o jovem, "eu passei por mais de mil vidas. Sofri a morte e a velhice, muitas centenas de vezes. Conheci a união com esposas, e a sua perda. Existi como erva e como arbusto, como trepadeira e como árvore. Caminhei entre o gado e os predadores. Fui brâmane, homem e mulher, muitas centenas de vezes. Participei na felicidade das mansões celestiaias de Siva; vivi entre os imortais. Na verdade, não há variedade de ser sobre-humano cuja forma não tenha já tomado mais de uma vez; fui demónio, duende, guardião de tesouros celestes, fui também rei entre as serpentes-demónios. De cada vez que o cosmos se dissolveu para ser reabsorvido na essência informe do divino, também eu tornei à existência, para viver outra série de renascimentos. Fui, vezes sem conta, vítima da ilusão da existência, e sempre por ter tomado esposa."
"Deixa que eu te conte algo que me aconteceu durante a minha penúltima encarnação. O meu nome, durante essa existência, era Sutapas, "Aquele cujas Austeridades são Boas", e eu era um asceta. E, graças à minha devoção a Visnu, o deus do universo, mereci as suas graças. Satisfeito por me ver cumprir inúmeros votos, surgiu ante os olhos do meu corpo sentado sobre Garuda, a ave celeste. "Venho conceder-te um favor, disse, tudo aquilo que desejes será teu".
E eu respondi ao senhor do universo: "Se estás satisfeito comigo, deixa-me compreender a tua Mãyã."
"Que farias tu com a compreensão da minha Mãyã?" respondeu o deus. "Conceder-te-ei, em vez disso, uma vida plena, o cumprimento dos teus deveres e tarefas sociais, todas as riquezas, saúde, satisfação e filhos heróicos."
"É disso, precisamente disso, que eu pretendo libertar-me; é isso que quero deixar para trás."
O deus prosseguiu: "Ninguém pode compreender a minha Mãyã. Ninguém alguma vez a compreendeu. Não haverá nunca alguém capaz de desvendar o seu segredo. Há muito, muito tempo, viveu um santo profeta quase divino chamado Nãrada, filho directo do deus Brahmã, e que me era fervorosamnete devotado. Como tu, mereceu as minhas graças, e eu apareci perante ele, exactamente como apareci perante ti. Concedi-lhe um favor e ele solicitou-me o desejo que tu acabaste de formular. Então, apesar de eu o alertar para que não me interrogasse sobre a Mãyã, ele insistiu, tal como tu. E eu disse-lhe: - Mergulha naquelas águas e experimenta o segredo da minha Mãyã. - Nãrada mergulhou no lago. Quando emergiu - emergiu na forma de uma rapariga."
Nãrada saiu da água como Susilã, A Virtuosa, a filha do rei de Benares. Pouco depois, quando estava na flor da sua juventude, o seu pai cedeu-a em casamento ao filho do vizinho rei da Vidarbha. O santo profeta e asceta, sob a forma de uma rapariga, experimentou plenamente os prazeres do amor. Mais tarde, chegado o momento, o velho rei de Vidarbha morreu, e o marido de Susilã sucedeu-lhe no trono. A formosa rainha teve filhos e netos, e foi incomparavelmente feliz. No entanto, ao fim de muitos anos, surgiu uma dissenção entre o marido e o pai de Susilã, dissenção que acabou por se transformar em guerra violenta. Numa única e cruenta batalha morreram muitos dos filhos e netos de Susilã, bem como o seu marido e o seu pai. Quando foi informada do holocausto, saiu em aflição da capital, e dirigiu-se para o campo da batalha, para expressar ali o seu solene lamento. Ordenou que fosse erigida uma pira gigantesca, e ali colocou os cadáveres da sua família - dos seus irmãos, dos seus filhos, seus sobrinho e netos; e depois, lado a lado, os corpos do seu marido e do seu pai, Segurando uma tocha na sua própria mão, ateou fogo à pira, e, quando as chamas se elevaram no ar, gritou: - Meu filho, meu filho! E quando as chamas começaram a crepitar, lançou-se para a fogueira. E, no meio das águas, Susilã ressurgiu - agora, de novo, como o santo Nãrada. E o deus Visnu, segurando a sua mão, ajudou-o a sair das águas cristalinas".
"Quando o deus e o santo atingiram a margem, Visnu perguntou com um sorriso ambíguo: "Quem é esse filho cuja morte choravas?" Nãrada sentiu-se confundido e vexado. O deus continuou: "Esse é o aspecto que tem a minha Mãyã, doloroso, sombrio, desaventurado. Nem Brahmã nascido do lótus, nem Indra ou qualquer outro deus, nem mesmo Siva, podem conceber as suas profundidades sem fundo. Como haverias tu de compreender esse mistério inescrutável?"
"Nãrada pediu que lhe fosse concedida uma fé e devoção perfeitas, e a graça de recordar esta experiência para todo o tempo vindouro. Pediu ainda que o lago no qual ele tinha entrado, como se fosse uma fonte de iniciação, se tornasse um lugar santo de peregrinação, e que as suas águas fossem dotadas com o poder de lavar todos os pecados - graças à secreta e eterna presença, nela, do deus que havia entrado para retirar o santo das suas profundidades mágicas. Visnu concedeu o cumprimento desses piedosos desejos e, no mesmo momento, desapareceu, retirando-se para a sua residencia cósmica no oceano de leite".
"Contei-te esta história", concluiu Visnu, antes de deixar também o asceta Sutapas, "para te fazer ver que este mistério não é conhecível. Se desejares, podes mergulhar também nas águas, e saberás porquê."
Ao que Sutapas (ou o príncipe Kãmadamana na sua penúltima encarnação) mergulhou nas águas do lago. Como Nãrada, também ele emergiu como uma rapariga, e foi assim envolto com as roupagens de uma outra vida.

Mitos e Símbolos na Arte e Civilização Indianas, Heinrich Zimmer

17 de nov. de 2019

Eugénio de Andrade - Na Orla do Mar (Schubert - Piano Trio No.2)





Na Orla do Mar

Na orla do mar,
no rumor do vento,
onde esteve a linha
pura do teu rosto
ou só pensamento
(e mora, secreto,
intenso, solar,
todo o meu desejo)
aí vou colher
a rosa e a palma.
Onde a pedra é flor, 
onde o corpo é alma.



Árvore, árvore. Um dia serei árvore.
Com a maternal cumplicicade do verão.
Que pombos torcazes 
anunciam.

Um dia abandonarei as mãos
ao barro ainda quente do silêncio,
subirei pelo céu,
às árvores são consentidas coisas assim.

Habitarei então o olhar nu,
fatigado do corpo, esse deserto
repetido nas águas, 
enquanto a bruma é sobre as folhas

que pousa as mãos molhadas.
E o lume.



Ignoro o que seja a flor da água
mas conheço o seu aroma:
depois das primeiras chuvas
sobe ao terraço,

entra nu pela varanda,
o corpo inda molhado
procura o nosso corpo e começa a tremer:
então é como se na boca

um resto de imortalidade
nos fosse dado a beber,
e toda a música da terra,
toda a música do céu fosse nossa,

até ao fim do mundo,
até amanhecer.



Alex Stoddard


11 de nov. de 2019

Eugénio de Andrade - Ah, Falemos da Brisa (Ravel - Ondine, Gaspard de la Nuit)





Ah, Falemos da Brisa

Eu dizia:
"Nenhuma brisa é triste"
e procurava água, lábios,
um corpo

onde a solidão fosse impossível.

Mas quem sabe dessa música
cativa nos meus dedos?
E depois, como guardar um beijo,
mar doirado ou sombra
desolada?

Recordava um rio,
álamos,
o sabor nupcial da chuva,
tropeçava em lágrimas e soluços
e lágrimas, e procurava.

Como quem se despe
para amar a madrugada nas areias,
eu dizia: " Nenhuma brisa é triste,
triste", e procurava.

E procurava.



Passamos pelas coisas sem as ver,
gastos, como animais envelhecidos:
se alguém chama por nós não respondemos,
se alguém nos pede amor não estremecemos,
como frutos de sombra sem sabor,
vamos caindo ao chão, apodrecidos.


Danny Richardson
The Ripple Effect of Life & Death


6 de nov. de 2019

andromedanos 👉 reptilianos 👉 anunnakis 👉 grays


com tudo isto só posso concluír que estas linhagens et's, têm mais de humano que de ser evoluído - só faltava mesmo aparecer um representante anunnaki a defender o seu lado da história; não concordo em nada com a forma de apresentação deste canal, Allatra, a forma como o seu líder, Igor Danilov, surge, transmite a sua mensagem (o cenário é digno de aparecer num canal tipo Canção Nova),  delega as suas colegas para um segundo plano, que pouco mais fazem do que anuir; Zhanna é apresentada como uma reptiliana - a mim parece-me um cenário préviamente montado, ou Zhanna possui mesmo uma habilidade e está a ser manipulada, ou será um truque; já vi fotos dela nas quais ela surge como uma jovem muito normal, sem nada deste visual retro; aos 3:30 mn, Igor fala do que eventualmente terá originado a intervenção anunnaki: um pedido de socorro por parte da humanidade para nos livrarem dos grays (gostaria de saber qual seria a resposta de Bashar a estas acusações); atenção que ele não nega que os anunnakis sugam energia... seria mais interessante se todas estas fracções assumissem abertamente o papel que cada um teve na manipulação da raça humana ao longo dos tempos... 


29 de out. de 2019

divagações sobre o painel "A Greve dos Rapazes", que retrata uma revolta na Fábrica de Louça de Sacavém, em 1937

























Estava eu perdida em pesquisas, à procura de símbolos de porcelana, quando me deparei com este painel de azulejos, e decidi investigar um pouco mais sobre a história da Fábrica de Porcelana de Sacavém. 
Após falecer Manuel Joaquim Afonso, fundador da fábrica, em 1871, (tendo já contratado um mestre inglês), a sua direcção fica a cargo do Barão John Stott Howorth, sua mulher e irmão, que consolidam a influência inglesa na importação de métodos, técnicas, modelos e matérias primas, vindos na sua maioria da região de Stoke-On-Trent, de forma a poder fabricar a louça ao gosto inglês. James Gilman introduz novos fornos em 1912, amplia a sua maquinaria e cria uma rede de caixeiros-viajantes e agentes locais para conquistar novos mercados. Herbert Gilman assume as rédeas da fábrica em 1920; Clive Gilbert entra nos assuntos da fábrica em 1960, coincidindo com a criação do último logotipo da fábrica, o S estilizado. Para além da belíssima loiça em porcelana, a fábrica produziu também azulejos, sanitários e mosaicos.
Práticamente toda a população de Sacavém trabalhava na fábrica, e muitos vinham de longe, das zonas rurais do Alentejo e da Beira, atraídos por um sonho de estabilidade e salário certo. Já em 1930 a fábrica contava com mais de mil operários, entre eles forneiros, prensadores, oleiros, aprendizes, gravadores, moldadores. O sistema de trabalho assentava em: subdivisão de tarefas, recrutamento e treino dos novos trabalhadores, disciplina no trabalho (os trabalhadores não estavam autorizados a mudar a seu gosto de uma tarefa para outra, eram treinados para uma tarefa específica e tinham de a cumprir). Havia todo um conjunto de normas disciplinadoras de trabalho, e um sistema de multas e penalizações por infrigimentos, assim como vigilantes e inspectores. O trabalho em si era mal remunerado, homens e mulheres trabalhavam separados, não haviam condições de segurança nem de higiene nas fábricas, não existiam máscaras, morria-se por silicose, e o calor imperava. Numa fase mais tardia, parte do salário era variável consoante as peças que se produziam, o que levava a que muitos operários abdicassem da hora do almoço para conseguir atingir os seus objectivos de produção.
O Estado Novo, através de Salazar, cria a FNAT (fundação nacional para a alegria no trabalho) em 1935, com o objectivo de controlar os tempos livres dos trabalhadores, preenchendo-os com actividades sadias que assegurassem o seu desenvolvimento físico e moral, adequadas à ideologia do regime, que seguia os modelos fascistas italiano e alemão, e repudiava os lazeres tradicionais, o desporto profissional e os bailes como irradiadores de devassidão. Sob a tutela deste órgão, a direcção cria uma série de gratificações e ajudas para o casamento, de forma a moralizar a instituíção familiar; criam um campo de férias; uma creche que funcionava somente para os filhos de pais oficialmente casados; um grupo desportivo; um grupo privativo de bombeiros. São acções que visam os bons costumes, e não o bem-estar ou a saúde.
Em 1941 é inaugurado um refeitório com capacidade para 500 operários; é criada também uma vacaria dentro da fábrica - mas num inquérito alimentar realizado por um órgão externo em 1949, conclui-se que a alimentação dos operários é insuficiente, especialmente entre os mais jovens e os que se dedicam às tarefas mais pesadas. 
Existe um salário mínimo, criado em 1932, mas apenas para os trabalhadores do sexo masculino. 
Em 1947 os trabalhadores que operavam nos fornos faziam ainda 16 horas diárias. 

Numa entrevista dada em Loures, em 2017, o último administrador da fábrica, Clive Gilbert, afirma: “Ainda hoje não percebo como é que aqueles homens e mulheres faziam tanta coisa em tão pouco tempo. Para mim é um milagre”.

Durante as décadas de 70 e 80, as fábricas de cerâmica como a de Sacavém e a de Cavalinho, em Vila Nova de Gaia, entram em declínio. Em parte terá sido por causa da preferência do Regime pela Vista Alegre, mas principalmente deve-se ao surgimento do plástico e à sua grande proliferação. O milagre da exploração dos mais pobres, dos baixos salários e das grandes cargas laborais transfere-se para outros países do terceiro mundo.



fontes:
Wikipédia
Fábrica de Louça de Sacavém, Ana Paula Assunção, Edições Inapa
Fábrica Cerâmica do Carvalhinho - Hugo Pereira 
Museu de Cerâmica de Sacavém - Câmara Municipal de Loures