12 de jun. de 2018

as pessoas sensíveis, Sophia de Mello Breyner Andersen



As pessoas sensíveis não são capazes
De matar galinhas
Porém são capazes
De comer galinhas
O dinheiro cheira a pobre e cheira
À roupa do seu corpo
Aquela roupa
Que depois da chuva secou sobre o corpo
Porque não tinham outra
O dinheiro cheira a pobre e cheira
A roupa
Que depois do suor não foi lavada
Porque não tinham outra
"Ganharás o pão com o suor do teu rosto"
Assim nos foi imposto
E não:
"Com o suor dos outros ganharás o pão"
Ó vendilhões do templo
Ó construtores
Das grandes estátuas balofas e pesadas
Ó cheios de devoção e de proveito
Perdoais–lhes Senhor
Porque eles sabem o que fazem




12 de mai. de 2018

grungy, dirty, os belos anos 90

para todos os que gostam de reduzir a música e o rock a influências satânicas e pactos demoníacos - a música, a pintura, a fotografia, são as mais belas formas de expressão da nossa criatividade, e demarcam a nossa posição face ao que é quotidiano, vulgar, normal; acredito que há explosões de criatividade, épocas, anos, uma noção que me ficou da dialéctica de Hegel - nada me marcou mais do que a década de 90, e ainda me recordo de sentir um arrepio na espinha ao ouvir Pearl Jam pela primeira vez; não sei se alguma fadazinha espalhou um pó mágico por Seatle, o certo é que a qualidade e a postura dessas bandas nunca mais foi igualada. sei que sou suspeita ao falar das influências da juventude, da mesma forma como outros poderão falar da irreverência dos anos 70 patente no rock progressivo de bandas como os Jethro Tull, ou do romantismo dos anos 80, do glamour de bandas como os Japan - essas épocas poderão ficar para outro post; deixo aqui 10 das melhores músicas grunge, não serão as mais representativas, são a minha modesta escolha:


7 de mai. de 2018

Simon Parkes: "Sólo una minoría considerable hará el vuelco para el cambio"



Simon Parkes rompe com o seu anterior "talk show host", e parte para programas a solo; aqui sub-titulado em espanhol por Andrea Alerta; tenho acompanhado o percurso deste ex-político britânico que veio a público divulgar os seus contactos com entidades extraterrestres, sem que isso o desprestigiasse, já que continuou a exercer após o caso. Concordo com algumas das suas posições, discordo plenamente de outras, mas é sempre interessante ouvir, até porque se trata dum indivíduo com uma postura irrepreensível, calmo, ponderado, positivo. Não concordo em absoluto com a posição elitista de que apenas uma parte da população estará pronta para dar o salto, penso que é absolutamente cruel estar a discriminar as pessoas porque 99% da população ainda se encontra na ignorância dos factos, para além de que a manipulação e o condicionamento são fortes.

2 de mai. de 2018

sonho bizarro

tenho ponderado muito se devo falar sobre a estranheza dos sonhos... correndo o risco de soar bizarra, enfim, welcome to my world, afinal, já me sinto diferente e já...
desde sempre que acho que me sinto mais viva e interventiva nos sonhos que no dia-a-dia, e apenas há uns anos comecei a pesquisar sobre sonhos lúcidos e a capacidade de controlar o próprio sonho;
inclusive experimentei acalmar-me e relaxar antes de me deitar, na esperança de ter uma noite mais calma, isto porque tenho pesadelos recorrentemente, umas três vezes por semana (ou não me recordo do sonho, ou é certamente uma experiência da qual acordo como se tivesse feito esforço tremendo) - pondo a hipótese de ter certamente algum tipo de entidade a aterrorizar-me durante o período do sono a alimentar-se do meu estado de stress, tentei então relaxar e controlar as minhas acções. 
acredito que a mente viaja para outra dimensão quando dormimos, ou isso ou então estamos prisioneiros de algum tipo de controle mental que nos carrega baterias enquanto sonhamos; a hipótese de uma "torre lunar" que nos suga a alma quando morremos, para fazer a reciclagem, parece-me bastante viável, tendo em vista como é estranha a lua em si; daí podemos extrapolar para uma teoria onde existe algum dispositivo na lua que terá também um papel na monitorização do nosso subconsciente no decorrer do sonho. 
já acordei de sonhos a ouvir uma música estridente, como se eu estivesse a ser hipnotizada pela música, e ao mesmo tempo, a ouvir vozes que tentavam captar a minha atenção - super estranho! também já acordei a observar um fio ténue que saía de mim mesma, como se fosse uma teia de aranha; e os pesadelos recorrentes, nos quais acordo com um ritmo cardíaco pelo menos o dobro do normal...
há pouco tempo tive um sonho que me levou a decidir começar a escrever uma espécie de diário de sonhos, porque o senti mais como uma mensagem:

fui visitar um edifício que era uma espécie de hospital psiquiátrico, uma verdadeira fortaleza murada, apesar de ter belos jardins; encontrei lá dois familiares muito próximos, conversamos e andamos por lá sem me aperceber que era um hospital/prisão; estava tudo bem durante o dia, anoiteceu e foi então que quis vir embora e trazê-los comigo, e nessa altura uma autoridade qualquer abordou-me e explicou-me a coisa nestes termos: eles são prisioneiros mas não têm consciência, tu podes sair mas não os podes levar, quando quiseste vir para cá aceitaste e concordaste que não lhes podias contar que eles estão presos para sempre...

acordei com uma sensação tão forte de estar a chegar de algum lado verdadeiramente - talvez uma parte dos nossos sonhos seja mesmo produto do nosso subconsciente, outra grande parte poderá ser algo programado que poderá encobrir outro tipo de actividade, um tipo de controle mental; mas uma vez por ano, ou uma vez de x em x anos que seja, temos aquele sonho que nos faz pensar se não estivemos verdadeiramente noutro local, noutra dimensão; mesmo admitindo que somos controlados, lá haverá uma brecha, ou falha na "grid", permitindo-nos escapar para outras paragens...

29 de abr. de 2018

Propaganda - a dream within a dream



Take this kiss upon the brow!
And, in parting from you now,
Thus much let me avow —
You are not wrong, who deem
That my days have been a dream;
Yet if hope has flown away
In a night, or in a day,
In a vision, or in none,
Is it therefore the less gone?  
All that we see or seem
Is but a dream within a dream.

I stand amid the roar
Of a surf-tormented shore,
And I hold within my hand
Grains of the golden sand —
How few! yet how they creep
Through my fingers to the deep,
While I weep — while I weep!
O God! Can I not grasp 
Them with a tighter clasp?
O God! can I not save
One from the pitiless wave?
Is all that we see or seem
But a dream within a dream?

Edgar Allan Poe


1 de abr. de 2018

entrevistas iniciais do Dr Anderson, para o projecto WingMakers, antes de serem alteradas

"Cada galáxia tem uma federação ou rede organizacional que inclui todas as formas de vida conscientes, de cada planeta, de cada galáxia. Seria o equivalente às Nações Unidas da galáxia. Esta Federação tem membros convidados e membros observacionais. Os membros convidados são todas as espécies que conseguiram  comportar-se de forma responsável como guardiões do seu planeta, e combinar tecnologia, filosofia e cultura, permitindo-lhes comunicar como uma entidade global, com um propósito unificado."
"Os membros observacionais são as espécies que se encontram fragmentadas, lutando entre si por terra, poder, dinheiro, cultura, e uma série de outras coisas, o que as impede de formar um governo mundial unificado. A raça humana no planeta Terra é uma dessas espécies, e, por agora, é apenas acompanhada de perto pela Federação, mas não é convidada para a formulação de políticas e sistemas económicos."
"A Federação não se quer intrometer com nenhum tipo de espécie. É, na verdade, um facilitador, e não uma força governante com uma presença militar. Ou seja, eles deverão observar e ajudar com sugestões, mas não deverão intervir em nosso favor."
"É mais como um pai que quer que os seus filhos aprendam a cuidar de si mesmos, de forma a poderem contribuir melhor para a família."
"Mas a Federação não interfere na responsabilidade própria da espécie para com a sua sobrevivência e para com a perpetuação da sua genética. A questão é que, a um nível atómico, os nossos corpos físicos são feitos, literalmente, de estrelas. A um nível sub-atómico, as nossas mentes são repositórios não-físicos de uma mente Galáctica. A um nível sub subatómico, as nossas almas são repositórios não-físicos de Deus ou da inteligência que permeia o universo."
"A Federação considera que a espécie humana pode defender-se porque ela é feita de estrelas, mente Galáctica e de Deus. Se nós não formos bem sucedidos, e a hostilidade acabar por se espalhar para outras partes da nossa galáxia, então a Federação ficaria de sobreaviso, e os seus membros teriam de defender a sua soberania, algo que já sucedeu muitas vezes. E neste processo de defesa, surgem novas tecnologias, novas amizades são forjadas, e uma nova confiança será incorporada na mente Galáctica."
"A raça alienígena que é mencionada na profecia nem sequer tem consciência da Terra neste momento. Eles são originários de uma galáxia completamente distinta. A profecia é que eles vão enviar sondas para nossa galáxia e determinar que a Terra possui a melhor biblioteca genética e o melhor repositório de recursos naturais da Via Láctea, podendo ser rapidamente assimilados. Eles visitarão a Terra em 2011."
"A profecia diz que eles vão fazer amizade com os nossos governos e utilizarão as Nações Unidas como aliados. Deverão orquestrar um governo mundial unificado através das Nações Unidas. E quando se realizarem as primeiras eleições em 2018, eles tomarão posse das Nações Unidas e apresentar-se-ao como o governo do mundo. Isto será feito com o recurso a truques e mentiras."




Quando acompanhava o Project Camelot, deparei-me com os WingMakers, e a minha impressão foi de que era uma bela fábula. Não levei o assunto muito a sério; ainda me sinto céptica, mas após ler um artigo de Wes Penre, chego à conclusão que realmente houve um primeiro informador e que posteriormente a história foi alterada por uma segunda personagem, de nome "James". Dr. Anderson desapareceu e as suas entrevistas iniciais formam alteradas, e 3 novas entrevistas foram adicionadas. Não concordo a 100% com o que traduzi acima, mas admito que para formular um opinião devemos levar em conta vários pontos de vista, e seguir o que mais entrar em sintonia com a nossa intuição.



https://www.wingmakers.us/wingmakersorig/wingmakersinterviews/www.wingmakers.com/interview/iview1.shtml


14 de mar. de 2018

NASA avisa sobre tempestade solar prevista para amanhã - treta!


Acompanho a previsão diária de Ben baseada nas imagens fornecidas pelos satélites que monitorizam o sol, assim como as previsões metrológicas gerais e logo vi que esta notícia era falsa, vinda supostamente da NASA (Never A Straight Answer) e veiculada pelos jornais. Não sei o que ganham estes indivíduos em espalhar falsas notícias e provocar o medo. A própria notícia não mostra as fontes, nem a explosão solar que supostamente gerou a tempestade solar. É mais um fim do mundo, mais do mesmo.

18 de fev. de 2018

The Palace the Master Carpenter Built

Isto é mesmo outro nível... É muito triste que se percam estes talentos, este tipo de especialização vai ficando para trás no nosso contexto de vida actual - que fazemos hoje? Estudamos, arranjamos emprego, compramos um apartamento na cidade ou alugamos, passamos os nossos dias entre o trabalho, o transito, a família, conviver com amigos, and so on; se queremos mobilar vamos ao IKEA comprar um aglomerado em forma de mobília, aproveitamos para levar a família e comemos umas almôndegas com um aspecto duvidoso e a saber a borracha. Será possível mudarmos o nosso rumo e levar uma existência mais integra, mais ecológica? Regressar às origens?


19 de jan. de 2018

Fire and Fury, Inside the Trump White House, para ler online

Para quem tiver curiosidade de ler um pouco, temos o livro de Michael Wolff sobre o primeiro ano da presidência de Tump; tem gerado imensa polémica nos states, como seria de esperar. Temos algumas supostas revelações, algumas interessantes, outras nem por isso. A origem do penteado de Trump, divulgada pela sua filha Ivanka (?); o facto de Trump ter concorrido sem nunca ter pensado que ganharia as eleições (a sua campanha serviria somente para impulsionar os seus negócios) - na minha  opinião, estes dois candidatos eram tão fracos que os americanos estavam perante uma escolha de qual seria o mal menor; Trump teria ficado horrorizado quando soube do resultado final, de tal forma que nem sequer assistiu à sua tomada de posse, alegando estar doente; Ivanka e seu marido assumem um papel predominante na sua administração, com a esperança de num futuro ela mesma ser eleita presidente; surgem rumores sobre a sua saúde mental; entre outras "fofocas".

Trump não passa despercebido, suscita fortes reacções - amado ou odiado, não há meio termo. O que posso dizer em sua defesa, é que é um homem que pela sua riqueza pessoal não será facilmente manipulado e iludido com promessas de favores por parte do status quo, dos powers to be; isso não quer dizer que como pessoa seja encantador, em certo modo consegue personificar o espírito americano - quero, posso e mando! Grande parte dos meios de comunicação alternativos adoram-no e não consigo visualizar a razão, por mais que me esforce - dizem que está a ser massacrado pelos media tradicionais, que é o homem que vai limpar o senado, é quase salvador de todos nós... 

Polémicas à parte, segue o link para a leitura
https://www.bibliotecapleyades.net/archivos_pdf/fire-fury.pdf

8 de dez. de 2017

Ao defunto pobre, Pablo Neruda



Enterraremos hoje o nosso pobre:
o nosso pobre pobre.

Viveu sempre tão mal
que é a primeira vez 
que habita este habitante.

Porque não teve casa, nem terrenos,
nem estudos, nem lençóis,
nem carne assada,
assim dum lado para o outro, pelos caminhos,
foi morrendo por não ter vida,
foi morrendo pouco a pouco
porque outra vida não teve.

Por sorte, e que estranho é, desde bispo
ao juiz todos concordaram
que dele era o céu
e agora morto, bem morto o nosso pobre,
ai, o nosso pobre pobre
não saberá o que fazer com tanto céu.
Poderá ará-lo, semeá-lo, colhê-lo?

Isso ele o fez sempre, duramente
lutou com os torrões,
e agora é-lhe suave o céu para lavrar,
e logo entre os frutos celestiais
o seu terá, por fim, pois na mesa
das alturas tudo está ordenado
para que coma do céu à tripa-forra
o nosso pobre que leva, por fortuna,
sessenta anos de fome cá em baixo,
e para saciar, por fim, como é devido, 
sem que a vida mais pontapés lhe dê,
sem que o prendam só porque come,
debaixo da terra, no seu ataúde
já não se mexe, já não se defende,
nem lutará pelo seu salário.
Nunca esperou tanta justiça este homem,
abarrotaram-no de repente e ele agradeceu:
ficou calado de tanta alegria.

Ai, o que pesa agora o pobre pobre!
Era robusto, e de olhos negros
e agora sabemos, pelo que pesa,
ai, quantas coisas lhe faltaram sempre,
pois se esta força não parava nunca,
cavando baldios, removendo pedras, 
ceifando trigo, amolecendo argila, 
moendo enxofre, carregando lenha,
se este homem tão pesado não tinha 
sapatos, ó dor, se este homem cheio
de tendões e músculos não teve
nunca razão e todos o maltrataram,
todos o arruinaram, e mesmo assim
deu conta do seu trabalho, agora levando-o
aos ombros no seu ataúde fechado,
agora sabemos quantas coisas lhe faltaram
e que na terra não o defendemos.

Agora sentimos que carregamos
com aquilo que não lhe demos, mas já é tarde:
pesa-nos e não aguentamos com o seu peso.

Quantas pessoas pesa o nosso morto?

Pesa como este mundo, e continuamos 
com este morto às costas. É evidente 
que o céu é uma grande padaria.

6 de dez. de 2017

Passado, Pablo Neruda


Temos de deitar abaixo o passado
e tal como se constrói
andar por andar, janela por janela,
e o edifício sobe
assim, vamos descendo
telhas quebradas primeiro,
depois orgulhosas portas, 
até que do passado 
começa a sair pó
como se batesse
contra o chão,
começa a sair fumo
como se houvesse fogo,
e cada novo dia
brilha 
como um prato
vazio:
não há nada, não houve nada;
é preciso enche-lo com novas nutrições
espaçosas,
então, para o fundo
o dia de ontem cai
à água do passado
como num poço,
à cisterna
daquilo que já não tem voz nem fogo.
É difícil 
habituar os ossos
a perderem-se,
os olhos
a cerrarem-se
mas 
fazê-mo-lo 
sem o saber:
tudo era vivo,
vivo, vivo, vivo
como um peixe vermelho
mas o tempo
com a noite e um pano
foi apagando
o peixe e seu tremor:
na água na água na água
vai caindo o passado
ainda que se agarre 
a espinhos
e raízes:
partiu partiu e de nada valem
as recordações:
já a pálpebra sombria
cobriu a luz do olho
e aquilo que vivia 
já não vive
e o que fomos já não somos.
E a palavra ainda que as letras tenham
iguais transparências e vogais
agora é outra e outra é a boca:
a mesma boca é outra boca agora:
mudaram os lábios, a pele, a circulação,
outro ser ocupou o nosso esqueleto:
aquele que vivia em nós já não está:
partiu, mas se chamarem, responderemos
"Aqui estou" e sabe-se que não estamos,
pois aquele que estava, esteve mas perdeu-se:
perdeu-se no passado e já não volta.